Conferencista

   JACOB PINHEIRO GOLDBERG

 

Tribos urbanas, movimento de massas e mobilização social: silêncio e histeria nas         manifestações públicas

 

Cobertura da palestra

Dia 05/06 | 19h | Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro

A tribo urbana é a herdeira sociológica dos parênteses-mecânismos de defesa e ataque - isolando o indivíduo em grupos no percurso da história.

A cidade, principalmente, a megalópolis, representa a esperança e a paranóia, contraditóriamente, a valorização pessoal.

Religiões e esporte, idiomas e etnias, fluxos imigratórios e guetos sócio-econômicos, repercussão de estilo e condutas complexas, redes infindáveis sutis e rígidas, transpondo fronteiras lógicas. A tribo urbana é a senha da inclusão e o anátema do despossuído.

Independência e autonomia, a utopía anarquista resiste, na arte-estética sublimada e na arte-aprontação. Muda e impotente a tribo silencia ou ruge, histérica.

Resta Scheerazadja que para não morrer precisa cortar a novela que inventa, pela Internet.

As tribos incluídas ou exclusas na massa, definem tendências e emprestam caráter à modelagem do processo social.

Entrevista

Quais são suas recentes pesquisas sobre movimentos de massa e mobilização social?

Recentemente lancei um livro, “Cultura da Agressividade”, refletindo sobre alguns pontos deste tema. O primeiro se refere aos grupos tendentes à horda, marginalidade, crime, independentemente dos seus cortes de classe social. O segundo ponto são grupos afins, desde a torcida de futebol até os clubes de serviços. E, por último, as tribos indistintas e de tecido comum – sejam religioso, cultural ou ideológico; permanentes ou conjunturais.

Qual é o principal interesse do tema sob o aspecto psicológico?

Sempre estive atento ao fenômeno da tribo urbana, por uma questão pessoal de repulsa à organização que horizontaliza e por uma convicção filosófica de que a liberdade passa pelo espaço individual. Isso foi atestado nas ultimas décadas pela desmoralização e desqualificação das utopias de coletivização.

Houve mudanças na dinâmica das manifestações públicas em grandes centros urbanos nos últimos anos?

Os meios de comunicação e cultura de massa com seus avanços tecnológicos substituíram o cômico em praça pública e as marchas de rua, com vantagens e prejuízos decorrentes. Basicamente, menor envolvimento passional e ampliação da linguagem global e da participação singular. Por outro lado, há um nicho de enganos, erros e infâmia no espaço de uma “cultura google”, que dá margem a superficialidade e a uma espécie de arena sem códigos de civilidade nítidos.

 

A solidão estaria marginalizada na sociedade contemporânea?

Defendo a tese antipática de que só a alienação pode provocar nosso autêntico encontro final. E, na trilha de Fernando Pessoa ou Franz Kafka, creio que somente na contramão dirigimos nosso destino. A tribo exalta, mas a graça é a solidão. Quem pertence a algum grupo social se perde num “outro” antropofágico.