Na Esquina, o Esquina
Saía da Batista de Oliveira,
Santos Dumont, Espírito Santo,
Ostroviecz, Pasárgada, Kandire,
Jerusalém e parava nela.
Parar na Halfeld, península das
ilusões, desencontros, sem chão,
num eterno cantochão.
Subia e descia, descia e subia.
passo mineiro, parar no Café Internacional.
Meu pai, seu Luizinho com os prestamistas
judeus, doutro lado Braguinha e seus policiais,
O Cine Central aonde dormia com a
mulher do Zorro, do Super-Homem, no
adultério de todas as errancias, bendito
escuro das lambanças.
O frango-assado aos domingos no
restaurante que a memória enterra, que
a memória ressuscita no pesadelo
proustiano de todos os sabores e saberes
das ruas infinitas que percorro. Em vão.
Labirintos perdidos, tempo passado, nostalgia
e busca de Paris ao Senegal,
nunca o Esquina saiu daquela esquina
plantado fiquei na única rua da minha
vida.
Aonde ficarei um dia enterrado a espera
da dona Fanny, sempre atrasada, para
Tomar sorvete no Salvaterra.
Jacob Pinheiro Goldberg
pg. 01
O silente assobio
Você não foi embora
e o chamado entoa
atôa a toada a toda.
Naquela janela amarela,
ela se debruçava com
sua blusa,
amarela.
Éra ela, não era ela,
Era, não era, a menina
De boné laranja, short
Azul, mas a blusa era
Amarela.
O tênis branco e o
Assobio, a figura que
Vem da esquerda e se
Esvai pela direita.
A menina, de blusa
Amarela.
E que se torna,
mais distante e se
vai pela esquerda.
Por hora, só por agora
vai embora,
só por agora.
E no solitário vazio.
agora, eu homem de
blusa amarela.
Passo batido, ela retorna,
torna.
pg. 02
Maritaca Partida
Todo dia gritavam alegres.
Até que,
Presa na calha o desespero
altissonante,
aflição das sua companheiras.
Perdido na indecisão,
apelei e um taxista
a retirou da calha, machucada
a maritaca.
Negociei o socorro e lá
se foi do ninho-prisão,
a maritacazinha.
Todo dia as irmãs
vinham procurá-la,
gritando em vão.
Até que.
Foram-se para sempre,
num vôo silencioso.
E, hoje, em tardes nostálgicas
Ouvindo maritacas,
violinista no telhado,
imagino aquela dolorida,
solitária, única
prisioneira, livre ou cativa para sempre.
Salva narrativa sem pressa,
presa.
pg. 03
Dona Perigosa
O sinal vermelho nem
é sinal,
os automóveis, gracinha
veloz,
saia curta, corre em direção
ao vento e o vento
a colhe, acolhe,
a dama sedutora, bracinhos
abertos, freia.
Olha para trás,
assustada com a distancia
percorrida e balbucia,
“papai”.
Na encruzilhada, perplexa,
indaga, olhar labiríntico,
a onde vou?
pg. 04
GIRALUAS
A chuva tem
Razões escritas nos
recôncavos da
ouvertore.
A chuva tem razões em
alguns pingos d’agua
escorrendo de olhos
marejados, mas marés
flutuantes das dunas e
das índias.
O que poderia ter sido,
verdades a meia luz,
tapetes embardeisados e
clarinetas que antecipam,
quantos discursos no vendaval.
Hieróglifos cujas sombras no
deserto são decifrados no
berço ou no túmulo.
pg. 05
Melancólica Canção.
Um gato que atravessa a rua,
e que pode ser atropelado, o que
procura na outra calçada ou
só atravessa o espaço vazio de
todas as ausências.
Porque o gato-de-rua não tem
Dono nem destino e caminha
Elástico por saídas furtivas,
sem pressa, sem interesse, sem
interlocutor, sem interrupção, sem
frase.
E então.
Delicado e afoito a rua é
a pensão de seu através.
pg. 06
Kandire em Portugal
Duas vedetes no
rio que navega,
o mundo a navegar.
Pessoa, “daemon” platônico
quem são os portugueses
no psicodrama.
O “seu” Manuel e
dona Maria, que
no restaurante na
Rua Batista de Oliveira,
ouviam de meu pai,
a saga dos marranos.
Esta melancolia,
Filha do fado e
das fadas que tal
Scheerazadie inveja
Camões.
Portugal, berçodestino.
Jacob Pinheiro Goldberg
pg. 07
Outono, inverno
Ontem a primavera e os céus
desmaiavam em nuvens de
terra marrom.
Plantado na cerca o homem
divisa tempos nevrálgicos,
em que os campos e os
cavalos rasgam sulcos nos
olhares.
pg. 08
E ainda
A alma pendurada vai dançar, pandeiro
indiferente, nas suas faces,
e o sol, indiferente, há – de raiar.
algum moleque atrás da bola, disparado
vai perder o sol.
E as traves, indiferentes, com o tempo, hão-de vergar.
A professora repete, convencidade, a raiz quadrada
do número que, indiferente, repete o resultado previsto.
Mas a raiz do abacateiro, sob chuva e
Trovoada vai germina abacates verdes,
que, maduros hão-de-ficar.
E nos bares os vendedores venderão suco
de abacate e nas lanchonetes, com o sem limão.
E assim, sempre a dor e o amor, numa
ciranda infinita, com a vida e a morte
celebram bodas de ouro, prata, platina,
metais raros, metal vil.
Alu, aluá, alulele, eu vou, eu venho,
alu, alu, alu, alu,
ale. A nuvem apaixonada,
correndo no colchão azul atrás da chuva,
do sol, de você.
Pg. 09
Canto da Serra
Aos 14 anos
o ruído da serra
no quarteirão vizinho.
E este som
familiar quantas vezes
como solo de
alguma partitura íntima.
E agora por entre
as ondas
do avião e o ranger dos pneus
e os barulhos internos
indistinguíveis.
O da água escorrendo
na pia do banheiro,
entre tantos mais fugazes.
Um passo na sala ao
lado e do elevador que chega.
Tudo ressonância
eco, reverberação.
Martelando.
Mas a serra é
nalguma sorte das
cortes, trilha sonora
de meus filmes.
A serra que trás
dos montes não se
encerra naquela que
se alçava cercada pelo
soutien, costeando
o alambrado, palmo a palmo
do alpinista.
Jacob Pinheiro Goldberg
Pg. 10
Nossos olhos ressuscitam estrelas.
Na contra-corrente, aquele dia em que Adão não
comeu a maçã que Eva não lhe ofereceu, em que
a serpente dormia, lânguida no ovo.
Um raio de sol, filho de Akhenathon, entra pela
minha janela, bate na esquadria e irradia o arco-íris.
Cores esquecidas explodem negras recordações que se
Refugiam e escondem, no mais longíquo imemorial.
A harmonia e a homeostase escapam e retornam ao corpo,
e o diário preenche suas páginas, todas as páginas,
com as palavras corretas com o vaticínio da celebração divina.
E, claro, por isto, o demônio se ausenta na infinita,
extensão do tempo em que o Golem o aprisiona.
Fiz o feito, o imperfeito excluído, o não-feito,
o caminho seguinte terá seus escaninhos, as respostas,
as proezas,
porque, assim, o assalto aos Céus numa ordem messiânica,
anuncia o incriado, o re-escrito, a
Criação.
E mais ainda existe uma
Lua de quarto crescente na Patagônia,
a ser visitada em sonho,
com tênis molhado ou fantasia
de ouro prateada.
Tarde dezembrina, em agosto.
Jacob Pinheiro Goldberg, imaginado em
Jerusalém, perpassado em Ostrowiec,
Concebido em Juiz de Fora. Passageiro.
Pg. 11
Estação penúltima.
Você se lembra
daquele inverno,
frio como um deus marciano?
Foi-se.
Como se foram,
o verão outonal
em que a sombra da estrela mentiu o juramento e
a primavera do girassol,
aquela ruidosa primavera
em que todas as chegadas lacrimejavam sons da Catalunha.
E
se você se lembra
o sortilégio do medo,
a ausência da madrugada,
E donatária dessas lembranças
Pode fielmente,
esquecer o presente.
Pg. 12
A insônia dos sonhos
Enquanto tiverem
a competência para
dormir,
enquanto cochilamos,
enquanto insones,
donatários de
herança, na vigília,
os sonhos
habitarão o
território do
Impossível, do
Inaccessível, do
Incrível, do
Inexistente.
Eis que os
sonhos não dormem,
jamais.
Pg. 13
O ______ chines.
Deve ter sido
num foi-se,
mesmo que nunca
se viu igual,
Tenosa e parecida.
Volta em volta,
envôlta.
Madresilva, madrepérola.
As sombrinhas que protegiam
do sol fervente as
faces da gazela.
Pg. 14
Falta o galo cantar
O regente no prelúdio
silencioso dos acordes, oboé,
Largas campinas, as idas e algazares,
O circo que desfila, equilibristas
onças, gato-pintado,
amores esquecidos,
trevas enevoadas
em passaportes nas gavetas.
Aurora, pandeiros, trinado,
Langor romântico,
Mas,
falta o galo cantar.
Emudeceu, se escondeu, morreu,
enigma cantante.
Ainda não posso morrer.
Eu
Tenho que ir até o fórum,
para um audiência,
Tomar um café com o Joaquim,
resolver uma briga com a
Manuela sobre o sábado a
noite.
Eu
Tenho que ir ao cemitério no
Dia dos finados,
Comprar um edredom para o
Inverno que veio brabo,
Telefonar para a Companhia de gás
reclamando da conta que veio
errada,.
Eu
Tenho que assistir o filme
da 5ª feira, às 20 horas,
fazer amor com a Esmeralda
e para isto esperar a viagem do marido dela.
Por toda esta coisa,
e,
ah,
por não ter subsulto o remetente
no envelope anjo destino
De perdeu,
Ainda não posso morrer.
Pg. 15
54 Reserva Cultural
REPESCAGEM Jacob Pinheiro Goldberg
sta é a transcrição infi el, quebrando o sacrossanto sigilo
profi ssional de uma sessão em que Akira Kurosawa, sem
ordem cronológica ou preocupação, desenha os meandros
complexos do seu inconsciente, num fl uxo espontâneo.
Além das intervenções do profi ssional, enquanto ouvinte,
no entretrecho, passagens de meu livro Clave da
Morte, inspirado pelo fi lme Os Sete Samurais, num monodiálogo
que corre atrás do roteiro cinematográfi co
do maior gênio do cinema.
– Bom-dia, doutor.
– Bom-dia, Luminoso (apelido de Akira Kurosawa).
– Então estive pensando nesses meus contrastes, divisões,
fragmentos. Pintor, publicitário, desenhista, assistente
de direção, escritor, cineasta. Demasiadamente
japonês para Holywood, americanófi lo para os japoneses.
Na verdade, foi na época de meus fi lmes de samurais
(jidaigeri) que me sentia projetado na tela, lá estava meu
outro eu, ou um dos eus mais prontos. Você não imagina
quando recebi o Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Pela minha fantasia, estava vestido a caráter e ouvia, trêmulo,
os sons da infância, da adolescência. Você sabe
que depois de O Barba Ruiva entrei em crise e só consegui
me reabilitar com Dersu Uzala, quando recebi o
Oscar. A solidariedade de Coppola, Scorsese, George
Lucas, me ajudaram mais do que as críticas e inveja do
meu pessoal em Tóquio.
– Como você viveu essas tensões?
– De corpo e alma sou personagem, autor, fantasma e
projeto dos teatros nô e kabuki. O detalhe até a obsessão
é a marca que me valoriza e atormenta desde a infância.
A obsessão, doutor, a obsessão pelo perfeito é que me faz
escrever o roteiro, desenhar o personagem, e fazer a comontagem.
E a exigência que me faço e ao ator é para
revelar o psiquismo do personagem. E esse personagem
tem de estar diante de si mesmo e do mundo, porque a
escolha fi nal, doutor, é moral. Mais do que violência, sadismo,
erotismo, o que importa é a inteireza de destino.
Entrecho – Acredita-se que o mal-estar, a cultura, se
origina na informação de que o homem é o único animal
que sabe da morte inevitável.
Engano. O homem é o único animal que sabe da eternidade
e o mal-estar se produz na incerteza, o estreito
vagido entre o ir e vir.
– Mestre, fale da ansiedade.
– O feio me machuca, a brutalidade do homem, a
crueldade, o assalto contra a natureza, mas tudo isso se
curva ou se integra com o maravilhoso e o surreal. Mas,
espere um pouco, doutor, deixe que eu lhe fale dos meus
sonhos. Dos sonhos e pesadelos. Aliás, que serviram para
meu fi lme Os Sonhos. O senhor viu?
– Claro, uma obra de psicanálise na tela.
– Pois é. Uma vez tive um sonho. O menino na chuva
procurando as raposas que se acasalam. Desobedeci a
minha mãe e fui vê-las. E depois a busca pelo arco-íris,
onde as raposas poderiam perdoar a violação do tabu
que cometi. Como minha mãe foi injusta! E o medo que
senti! Por isso, outro sonho.
Fui atrás da visão da menina faltante e chorei pelo pomar
dos pêssegos destruídos. Quando fl oresceram outra
vez, sorri. A menina aparece. Mordi os lábios.
Mas, para que contar os demais se você assistiu ao fi lme,
não é?
E
Kurosawa
no divã Editoria de Arte
Reserva Cultural 55
Entrecho – Drama (li)turgia. Eu sou
um homem da fronteira. Eu sou a fronteira.
Entre o depois e o antes, uma sombra.
Uma sombra no espelho. Um espelho
n’água, o tempo, que desvenda todo o
mistério.
– Mestre, suas palavras me remetem à
cor e ao ritmo de seus filmes. Onírico e
imaginário.
– O funeral da senhora de 100 anos, todos
dançando e cantando, alegria, alegria,
pois é assim, doutor que imagino o meu
funeral, é assim que gostaria de ser lembrado.
A ultrapassagem, a transcendência
é a aspiração que me identifica com Van
Gogh, aquela paixão que o leva a cortar a
orelha, uma atitude de irreverência e protesto
diante dos limites de nosso corpo. Às
vezes, acordo à noite e estou transpirando
como em estado febril, sinto-me tomado
por espíritos do Além e simultaneamente
fico apavorado com o risco de viver
Aquém. Não realizar tudo, não produzir,
isso me provoca insônia.
Nos flashbacks de Rashomon tento
operacionalizar o Impossível, a exigência
de uma verdade que se desintegra,
diante de meus olhos e em minhas
mãos, só restando o consolo da ficção.
Entrecho – Atrás e futuro.
Doce ilusão das coisas passageiras. O
real fugindo e a briga repousa.
Dos astros, se ergue alto um dom que o
fado cria, nem sorte nem azar. Nada foi dado
e, por isso, nada pode ser roubado.
Cremos – a mera espuma, na praia, a
dita – que, entre o sol e a lua, há o louco
gêmeo da desdita.
– Mestre, você tem sido um inventor
de verdades...
– Se eu tivesse de escolher entre os muitos
eus que se digladiam dentro de minha
alma, Hyakhen Ushida (Madadayo) seria
um dos escolhidos. A velhice, o apagarse,
o espaço e o tempo, a morte, coroa da
vida. O plácido professor.
Quero recitar para você registros de
memória que martelam meu cérebro e
iluminam minha inspiração.
Vamos lá:
“Sono, irmão da Morte”.
Homero, in Ilíada
“A morte é noite amena; a vida, o dia tormentoso...”
Heinrich Heine
“Morte: sono da terra”.
Vigny
“O que o sono é para o indivíduo, a morte
é para a espécie”.
Schopenhauer
“Morrer, dormir, talvez sonhar”.
Hamlet
“E, rosa, ela viveu o que vivem as rosas”.
Malherbe
“Durmo, logo voltarei a remar”.
Reza dos marinheiros
do Danúbio em naufrágio
“Mãe de Cartago, devolvo o remo”.
Prece final dos marinheiros fenícios
“Fim aqui. Nós, após”.
Joyce, in Finnegans Wake
“Comigo as coisas não têm hoje e nem
ant’ontem, nem amanhã.
É sempre”.
Guimarães Rosa, in Grande Sertão:
Veredas.
– Que escolhas felizes, mestre.
– Dedico minha vida a contar histórias
e é isso que estou fazendo agora aqui com
você.
Este divã e este consultório, este mergulho
no passado são a minha tentativa
de adiar a morte. Sherazade. Vou tecendo
narrativas, criando imagens, para me
perpetuar, entende? Ao imaginar que depois,
muito depois que tudo acabar, ou
aparentar ter acabado, as palavras que
pronunciei, as frases que organizei, os
tipos nos dramas, na comédia e na tragédia
divertirem, animarem, excitarem
as pessoas, acreditando que é possível
perseguir a Inteireza, ainda que nas rupturas,
sei lá, música, maestro, mais alto,
mais alto, o regente se ausenta, ruge o
violino, piano, pianíssimo...
Entrecho – É uma longa viagem.
Animal bípede, vivente no solo da família
dos primatas. Aprendera a falar e fabricar
utensílios reconhecíveis. No fim da
primeira etapa, aprendeu a usar o fogo,
surgiu solitário, na sua classe de animais.
Era biologia.
Na segunda etapa, aprendeu a cozinhar
alimentos e fazer roupas quentes. Criou o
arco e a flecha e domesticou o cão para a
caçada. Melhorou sua habilidade.
Na terceira etapa, cultivou plantas, celebrou
a cerâmica, fez carroças, fundição
do cobre, escreveu, carvão, máquinas a
vapor, comércio, imprensa, dinheiro, canhão.
Desgastou o planeta e a natureza
sofreu. Uma história de mais de 1 milhão
de anos.
Aonde conduzirá essa aventura que começa
com os longínquos antepassados?
Saberemos combinar os dons e adivinhar?
Ou, como macacos nas árvores,
nossa visão será a de meros sobreviventes,
os que não puderam dar o salto que
liberta da angústia e do medo?
Enfim, relativizar a morte.
É uma longa viagem, que apenas começou.
– Mestre nossa próxima sessão será na
quinta-feira, dia 13.
– Não posso, doutor, infelizmente, este
é nosso último encontro ou desencontro.
Você sabe que quando eu tinha 12 anos,
vestindo um quimono azul, imaginei todo
o meu futuro, o que viveria e minhas
frustrações, os desejos e o despojamento.
Pois é, pois é. Além de Nagasaki, só
restou a poesia, e, na poesia, o silêncio.
O suicídio de meu irmão sinalizou para
mim a autofagia e a antropofagia dos humanos,
mas ainda assim é preciso viver.
Vou habitando nas sutilezas.
Jacob Pinheiro Goldberg é Ph.D. em psicologia e autor de A Mágica do Exílio – Magia
Wygnania (Landy Editora)
Os filmes com destaque em azul
estão disponíveis em DVD